terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Desconforto

s. m.,
falta de conforto;
desânimo;
desalento;
desconsolação.




Meu desconforto não é o seu,
assim como o seu não é meu.
Sequer pode ter noção do que é pra mim,
já que o que eu sinto você jamais saberá
como eu.
Eu gostaria de saber como sente,
mas alegro-me por sentir só o que já sinto.
Porque o meu limite já parece-me muito.
Sua presença me incomoda,
assim como olhares atenciosos.
Sua consciência me importuna, confesso,
e o que pensará.
Sei que eu que deveria postergar o que não me favorece,
sei que o valor próprio deve sempre ser o maior.
Antes morte do que a desonra,
Antes distância à intimidade,
Antes não enxergar
do que enxergar um futuro
em que não se vê nada.
Escolho solidão ao desconforto,
Solidão à você.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Cães e gatos.

Os gatos são criaturas maravilhosas. Mas nem sempre pensei assim, assumo.
Eu gostava mais dos cachorros... Eu achava mais legais, mais carinhosos, companheiros, amigos... Dependentes.
O ser humano adora estar no topo, seja da cadeia alimentar, seja da inteligência, do especismo, na própria sociedade, na força e na coragem... Até na inteligência. A tecnologia, o desenvolvimento. No poder de manipulação.
Os cães se encaixam perfeitamente nos padrões de 'melhor amigo do homem'. Se você bater em um cachorrinho, chutá-lo e gritar bem nos seus ouvidos, ele tremerá de medo. Mas se logo depois você muda a postura, abaixar o tom de voz, oferecer-lhe a mão para um agrado, ele aceitará e acreditará que você realmente mudou de idéia.
Os gatos sequer lhe dão a intimidade de chegar a pensar em maltratá-los. Eles mostram claramente que até podem depender de você, mas que não dão a mínima pra isso. Eles são rebeldes, individuais. São reis e rainhas da auto-estima. São pirâmides egípcias!
Os cães são comida em alguns lugares do mundo.
Humanos quando comparados à gatos são elogiados. Quando comparados à cachorros são ridicularizados.
Porque, assim como pessoas, fortes são os que prezam o seu Eu. São os que desacreditam, e não tem esperanças. Mas isso não traz a tristeza, e sim o desprezo. A moral e o controle são dos mentalmente estáveis.
A estabilidade é atrapalhada pelo sentimento.
Que assim como um homem que é atacado por um cachorro solicita seu abatimento, Um homem que é atacado por um gato procura não pisar mais em seu caminho.
Um homem furioso que decide matar o cachorro com as próprias mãos, mata-o com pedras e bordões. O homem furioso que quer matar o gato distribui veneno e espera sua morte de longe.
Gatos são criaturas incríveis, que para dar-lhe o afeto e para aceitar o seu, você terá que lutar para merecer isso. Entende? Você luta para um ser aceitar seu amor. É fascinante!
Os gatos, sem falar nossa língua e sem nosso 'desenvolvimento', conseguiram nosso reconhecimento inconsciente.
Hoje eu digo, do fundo do coração, Eu amo os gatos!

Registro

Deixo aqui registrado, senhores de bem,
Minha paixão é uma, é a mesma de tantas outras...
E mesmo assim, cada vez é única e...
Intensa.
Deixo clara a admiração, meu desejo,
Qual é geral e incompleto, já que nunca chego até o fim.
Uma adrenalina diferente a cada rosto diferente.
Veja só! Eu amo a todos! Eu quero todos!
Mas sou apenas de mim mesma.
Conto aqui, abuso de sua paciência e ignoro seus olhares que acusam-me a inconveniência.
Conto um conto, faço o riso sair das bocas alheias... Enquanto a tristeza me tem por dentro.
Ignoro o abandono, até convencer a mim mesma que tudo está bem. E um dia me dou conta
Que tudo realmente está bem... Ou menos pior.
Sou boa em jogos de palavras.
Sou boa em criar obstáculos.
Mas, especialmente, sou boa em enxergar um mínimo defeito cruel,
Mesmo que na pessoa mais bondosa.
E sou capaz de amar cada momento em que amo os medíocres,
E cada momento que divido com eles a cama. (e outras coisas...)
Sou boa em não sentir Nada.
Veja só! Eu quero todos, mas incompletamente...
Pois sou apenas de mim mesma.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Por que não me ajuda?

No som da bossa mais bela eu compus pra você, meu bem,
Fiz das maravilhas, palavras. Tentei, eu tentei!
Tirar um sorriso desse rosto privado,
desse rosto que guarda pra ti e pra outros,
especiais,
que, ora essa, não são como eu.
Mas, veja você, estou aqui, insistentemente,
de tal maneira que irritante, confesso.
Mas o que há de errado em expor um pouco
a vontade, demasiada dentro do peito,
de lhe demonstrar afeição?
Do som dos inteligentes eu tiro minha coragem,
não minha inspiração,
só pra dizer diretamente à você o que eu já vi, e que
guardar pra si não dá em nada.
Mas quando penso em andar... Eu tropeço,
as palavras quando saem... Sempre são das mais irrisórias,
sempre atormentando-me, pois minha descrição é verdadeira.
Resolveria se eu fosse mais espontânea,
mas entenda-me o medo do pensamento decorrente!
Quando o que eu queria era apenas conversar...
E que o perigo de parecer ridículo não me amedronta mais!
Ah, se você é especial ou não, eu, particularmente, não sei,
perante os outros, claro.
Pouco me importa, se quer saber...
me importa apenas que seja unicamente especial para mim,
e vice versa.
Saio escrevendo assim mesmo, de raiva talvez...
ou medo! Que o valor recebido te suba à cabeça,
e talvez até mereças isso,
Mas que eu fique sem uma chance,
de arranjar um lugarzinho meu...
Aí dentro.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Dia de samba grátis na Fundição.

Faço dessas linhas palavras, combinações, minhas únicas demonstrações de afeto. Conto aqui o que não tenho paciência para contar pessoalmente, preocupar-me com gestos e os olhares. O que vai pensar... Tentar, acima de tudo, demonstrar sanidade e autocontrole.
Confesso-lhe que a paixão dominou minha cabeça agora. E que por enquanto me mantém quente e acordada.
Meu dia resumiu-se ao uó. A Mary veio depois nos encher a cabeça. Um se junta ao outro e o estado torna-se perfeitamente tranqüilo.
Calça skinny e All star branco; Que bela combinação! Encanta-me, confesso. Só não mais que o estilo Junkie do Rock n’roll.
Que as ruas possam falar um dia... Pra me falarem por onde foi, e qual é seu nome. Daí certamente iria atrás de você.
Enfrentaria prazerosamente nossa guerra de olhares toda de novo. Riria sem graça novamente, mas dessa vez falaria que é encantador o jeito que me chamou a atenção. Que ver sua criatura me fez um bem tão grande que, certamente, roubar-lhe-ia um beijo... Ou diria um ‘oi’.
Me fez achar graça meio ao perigo da noite. Me fez hesitar em socorrer-te. (mesmo incerta de precisar.) E mesmo sem pele nos pés, e dor nos ossos, eu iria.
Acharam-me! Buscaram-me!
Que as ruas possam falar um dia... Pra me contarem da tua vida, quem és, teu nome! Teu nome! E por onde foi... Daí, certamente, eu iria atrás de você.

sábado, 22 de novembro de 2008

Consciência

Dias tristes e chuvosos...
Alegram-me!
O clima é frio e o céu é morto...
As pessoas fogem. As ruas, por fim,
Terminam vazias. O feriado delas!
Quando o clima é triste assim,
Identifico-me.
Para qual a solidão me é boa,
Para qual à solidão eu grito;
Em tempo real, meu sonho está vivo!
As gotas geladas e incômodas
Insistem em tocar-me!
Mas deixo quieto, não reclamo...
Pois inconvenientes somos todos!
A chuva que deveria limpar a rua,
Faz enchente, levanta o lixo,
Transmite doenças e vinga-se
Do sistema corrupto, e da falta de consciência
Dos egoístas ignorantes, ou apenas distraídos, que já não ligam
Na falta de cuidado e na sujeira
Do que de todos é o lar!
Que, abandonado, morre em silêncio
Mas que por dentro deve falar;
Do que seria de suas casas e apartamentos
Sem meu chão para dar-lhes o sustento?!
Dias tristes e chuvosos me alegram!
É dia de revanche! Dia de vingança! De justiça!
Em que sofremos todos
Com os erros despercebidos do dia-a-dia!

domingo, 9 de novembro de 2008

Sem provas não há culpados, mas também não há inocentes.

Talvez seja a raiva de um doente,
apenas uma crise de abstinência,
ou inconformismo com a injustiça.
As dores são perenes e fajutas,
e que mesmo assim dão um belo romance.
Minha inspiração pode vir de um amor,
de um gole, uma tragada,
uma lágrima ou risada.
E mesmo que o resultado seja uma merda,
as palavras saem de mim... Digo, de dentro,
e não da boca pra fora, como os que menosprezam,
não do ser inteligente,
porque minhas palavras, minha gente,
saem do meu ser demente,
chamado coração.
Já não sei o que me é primordial,
o que prezava antes, talvez, hoje entrega-lo-ia aos inimigos,
sem contrição.
Tenho medo, sim, não dos pensamentos! Não dos dizeres!
Mas da força que mantém o individualismo do Eu vivo!
Que se, esta, não for rijamente grandiosa,
tornar-se-á nocivo à mim.
Digo como se fosse convir, ora essa,
como se precisasse enobrecer-me.
Mas, por que tão tola minha alma insiste em ser?
Quando deveria, na verdade, abrilhantar-se,
libertar-se,
para, enfim, encontrar a paz.
Há! Faz-me rir.




"Eu sou assim,
Canto pra me mostrar...
De besta...
Ah, de besta!"