quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Dizem que quando vimos, no relógio, todos os números repetidos, é porque quem gostamos está pensando em nós.
Sempre que eu passava, distraída, os olhos no relógio, via sempre a seqüência perfeita, com todos os números iguais, e, inconscientemente, sentia-me bem.
Hoje não é mais assim... Foco os números que, distintos, trazem-me desconforto diante de todo o, ocupado, tempo só...
Mas só os fracos acreditam em superstição.
E só os vulneráveis podem se machucar.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

XVII

Triste Espanha,
É tanta música, tanta reza,
Religião que gera guerra,
O patrocínio sem a verba.
São privilégios dispensáveis, mas
Rigidamente valorizados.
Pobre Espanha, decadente,
O tombo é grande quando se está
No topo, como potência.
Teu rei é um tolo,
Tua rainha também.
Vai cair, sucumbir de fome,
Da miséria da maioria.
Em que o que restava ao povo
Era lamentar.
Como imaginava; “Ó, se eu fosse, do rei, herdeiro,
Guerrearia pelas terras de teu reino,
Porque teria força,
Teria dinheiro”
A que viveu o povo?
Entre as entranhas, em alto e bom tom,
A barriga ronca, o trabalho cansa...
Céus! Mas não há volta!
Eu vou pra América,
O novo mundo,
Tentar a vida por lá.
Serei sozinho, como já, mas
Terei minha própria justiça!
Triste, triste Espanha...
O tombo é grande, perceber-se-á,
Não diga que foi falta de fé, meu deus,
Mas vou embora dessa terra.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Toda semana pela frente...

E agora, como vai ser
se meus dias só tiverem graça
depois de algum contato qualquer?
E se minha concentração diminuir
pras milhões de coisas que tenho pra fazer?
Será benigno, querida?
Porque eu já não sei mais
se ter o próprio controle é tudo de bom.
Eu que antes estava sempre tão...
Meio a meio,
agora é como se não tivesse do que reclamar,
e isso em mim é novo.
Os textos, as músicas, os tons das cores,
eles são muito diferentes
quando se está bem.
Se antes eu escrevia como ninguém,
daquelas palavras difíceis,
melancólicas e tristes,
agora mal consigo descrever meu dia
porque ainda não aprendi a sentir isso tudo.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Não vou me desencorajar
Quero ter meu próprio controle remoto
Que eu saiba jogar e brincar
De um jeito que satisfaça,
Mesmo que eu perca a rodada.
Vou fazer algo surpreendente
Que nem precisa estar tão bom assim,
Apenas inesperado.
Peço pelo conforto
Quando a realidade não convier.
As coisas vão mudar, como sempre,
Eu me adaptarei.
Vivencio o que não acredito
Como custa, e custará, para sair de minha boca
Que eu passei, então, a acreditar.
Se eu não falo, guardo em mim,
O que doerá menos se der errado,
Porque o passo é largo
Quando se assume gostar de alguém.
Pronto, aqui está!
De mim para ti, goste como eu iria gostar
Ou, como sempre, aja desse seu jeito
Que me mostra que você é bem melhor
Do que eu poderia imaginar.



"Chove chuva,
Chuva traga o meu benzinho..."

domingo, 7 de junho de 2009

"I'm in trouble..."

Que problemão que fui me arranjar... Eu me achava realmente muito boa em fugir de sentimentos e pessoas, de repente ainda sou. De repente apenas esteja a tentação com uma voz mais prepotente que a consciência.
A desistência vem à minha cabeça e tenta convencê-la aos poucos, sem pressa. Mostrando-me que fugir pode adiar as ordens dos acontecimentos, mas que o acontecer é inevitável quando, no fundo, desejável.
Ó céus, perco o controle gradativamente e não dou a mínima. Não sei se volto mais atrás...
A desistência me controla, pois desisto de lutar contra esse querer.

domingo, 31 de maio de 2009

Se nunca foi, não é agora que passará a ser.

Ela anda por aí como se existisse um peso nas costas
um que a curva em direção do chão,
um que se lamenta, que chora e a castiga.
Daí, no escuro, outra abre a porta e a traz a luz que cega,
Dá-lhe o comprimido, dá-lhe água, e toda a vergonha de uma cara inxada de lágrimas. Puxa-lhe o queixo, apontando seu nariz pra cima. Abraça-lhe.
_O que há? É difícil me amar, não é? Eu sei que é.
Sim, é mesmo, mas o faz. Mal sabe o que é amor, mas o faz.
Céus, ela demora para perceber que a outra também começa a se emocionar. Meio a suas explicações seria inútil reparar em algo naquele jeito estupidamente orgulhoso.
_Respeite-me apenas.
Ela já, também, o faz! Pleonástico. Nesse lar, respeito é a única coisa que há.
"A minha responsabilidade é cumprida, e será até quando minha obrigação esgotar perante a lei."
Antes dito, não a assustava, é claro. O futuro é longe, não se vê. Muito falta, falta muito. Quando chegar lá ela estará livre como um filhote de peixe que é devolvido ao mar.
-A diferença de temperatura, os furos e outros danos causam lesões e estonteio. Quase todos os peixes morrem ao voltar ao mar.-
Acontece que o tempo não para. Mesmo o que é esquecido pelo medo, um dia chega. Nas vésperas disso começa a tomar-lhe o medo diante do claro alívio que começa a tomar a outra.
Ser feliz dentro e fora de casa. Nascer querido, desejado, bem-vindo. Crescer com ajuda, conselho, acompanhamento. Formar-se estruturalmente, sentimentalmente, ter seu porto seguro. Morrer vivido e conformado. Isso lhe é inviável, é de mentirinha. Final de novela mexicana.
Ela pode chorar, fazer votos de silêncio, parar de comer, morrer, ou apenas se desanimar com tudo. A outra nunca será o que nunca foi. Nunca estará do lado que nunca esteve. Nunca sorrirá para o que nunca o fez. Nunca se satisfará com o que sempre esteve errado.
A hora está para chegar!
Medo, medo, medo, medo.
Aos dezoito a outra lhe dará a carta de alforria e a história se repetirá.
Dá-lhe a liberdade!
Mas não a estrutura, não as condições, não o apoio para a sobrevivência.
Que assim seja, pois.
Tenta olhar pelo lado bom; aprender a viver sozinho é algo inevitável.
(só não precisava ser desde sempre.)

terça-feira, 19 de maio de 2009

O dom de escrever
sagrado e precioso,
de se expor
quando não há vergonha,
há apenas sabedoria
de vivência e sofrimento.
As pupilas dilatadas,
uma bela escrita,
um belo texto,
artificial.
Um dia, sem nada disso,
é triste perceber,
mas nem o ódio ou o amor,
a tristeza e a solidão
rabiscam o papel como antes.
Já não se admira mais como antes também,
porque eu não tenho idéia,
eu não sei de nada
sobre como isso surgiu.
Se antes explicava perfeitamente
o que parecia inexplicável,
agora até um mero dia
torna-se complexo e confuso,
triste e sombrio
o suficiente para o cansaço vencer.
A merda do cansaço de viver.
Chegou em casa exausto de trabalhar,
desabotoou os primeiros botões da camisa,
comia faminto, mas entre uma garfada e outra
achava espaço para dizer o quanto
é mais importante que eu.
Não valia me defender,
seus anos de vida eram bem maiores que os meus,
mas suas teses eram fixas demais,
em um mundo que sempre muda.
Ele é apenas outro
tão otário quanto eu.
“Não quero te pressionar, você sabe,
mas se não fizer o que tem que ser feito,
assinará o atestado de errado
bem como sempre foi.”
Meio a sua promessa de não se repetir,
torna-se paradoxo quando contadas as vezes que escuto
esse mesmo discurso.
E o que é falado demais,
enche-me o saco.
mas agradeço desde já
as prestações que endividei com a vida,
e com o que não tenho culpa.
Não é pirraça ou desgosto,
é obrigação implícita
de pagar tudo de volta.
No mundo que me encontrava antes,
a verdade é que esse é muito pior
e obrigatório.
Meu exílio, meu castigo.
A merda que se torna estar vivo.
Vou empurrar o quanto der,
uns querem diversão, outros salvação.
Fins pelos meios, atrás do que satisfaz.
Mas que cu, cacete!
Eu só quero um pouco de paz.